Jornalismo Trending Topic

Nesta madrugada, Carlos Nascimento dedicou a abertura do Jornal do SBT para comentar os Trending Topics do Twitter. Literalmente.

Não é de hoje que o jornalismo se acomodou em elaborar pautas a partir dos assuntos mais comentados na Internet, mas Carlos Nascimento foi além. Resolveu assumir a falta de assunto reclamando da popularidade dos Trending Topics.

Brincadeiras, que só fazem sentido no contexto da internet, são transformadas em coberturas jornalísticas. Enquanto a Globo explica a piada, Carlos Nascimento abre o jornal comentando o que não é notícia.

#update Opinião: A TV não sabe brincar de internet

Coincidências jornalísticas - Episódio II

Na edição deste domingo, o Fantástico dedicou 18 minutos de sua programação para mostrar uma reportagem "inédita" sobre um tipo de fraude praticado por alguns postos de combustível.

Realmente, a denúncia é importante e merece atenção tanto dos consumidores quanto das autoridades. O que o programa da rede Globo não informou foi a origem da matéria já veiculada pelo Jornal da Band.

A reportagem original foi ao ar em fevereiro do ano passado e teve repercussão imediatada na época.

Além do serviço prestado pelo jornalismo da Band, o trabalho foi finalista do Prêmio Esso em 2011. Será que os repórteres e editores do programa da Globo não sabiam da sua existência? 

Com certeza, alguém da emissora assistiu ao Jornal da Band porque a matéria é idêntica.

via UOL

Assista seu blog favorito no YouTube

Recentemente, o YouTube fez uma série de alterações no seu visual que o tornou ainda mais social. Agora, é possível assistir todos os vídeos compatilhados pelos amigos nas redes sociais no próprio site.

Além disso, outro recurso permite assistir aos últimos vídeos publicados nos blogs. Assim, você pode "assistir" este blog e muitos outros. Aproveitando a lista de reprodução criada automaticamente, adicionei todos os vídeos já publicados aqui e a transformei em uma retrospectiva com 80 vídeos e 6 horas de duração.

É o YouTube transformando qualquer pessoa em seu próprio canal de televisão.

Jornalismo telefone-sem-fio - Episódio II

Na madrugada desta quinta-feira, aconteceu uma das principais notícias do ano no Brasil. O homem mais procurado pela polícia do país foi preso enquanto deixava a favela da Rocinha no Rio de Janeiro.

O chefe do tráfico foi encontrado no porta-malas de um carro, ocupado por seus advogados que já estavam negociando uma possível rendição.

Ao serem abordados, André Luis Soares Cruz e Demóstenes Armando Dantas apresentaram-se como cônsul do Congo e funcionário do consulado, respectivamente.

Consul_do_congo

Se um sujeito com este nome é o cônsul do Congo, eu sou o cônsul do Japão. Provavelmente, este advogado não saiba uma palavra em francês, idioma oficial do país, nem imagine a localização ou a capital dessa república africana. A propósito, o Congo não possui cônsul em Brasília e muito menos no Rio de Janeiro.

Mas, os jornalistas Fábio Grellet e Ricardo Valota, do Estadão, não perderam tempo e publicaram a versão mais improvável da prisão.

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E, como a Agência Estado distribui conteúdo para diversos veículos, mais uma vez o jornalismo telefone-sem-fio se espalhou pelo Brasil.

Por que assistir a Olimpíada 2012 na Internet

Para quem não imaginava uma transmissão esportiva pior que o narrador Galvão Bueno comentando todos os assuntos possíveis e imagináveis, a rede Record se superou. Na pesquisa realizada pelo Portal Imprensa, 70% dos entrevistados consideraram a cobertura ruim ou péssima.

Felizmente, os jogos Panamericanos de Guadalajara não marcaram apenas a troca de emissora com os direitos de transmissão para televisão. O portal Terra enviou uma equipe de 84 profissionais, transmitiu ao vivo todas as competições e se prepara para a transmissão da Olimpíada 2012 em Londres.

Pela primeira vez, é possível acompanhar todos os jogos ao vivo e revê-los após a competição. Com até 15 transmissões simultâneas, interação e comentários em tempo real, a transmissão pela Internet revolucionou a cobertura.

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Além do computador, as transmissões também podem ser acompanhadas em smartphones e tablets. A menos de um ano da Olimpíada, os jogos de Londres devem entrar para a história da tecnologia também.

Jornalismo telefone-sem-fio

Uma das primeiras brincadeiras que aprendi na escola chamava-se telefone-sem-fio. Simples e criativa, trata-se de uma fila onde a frase escolhida é passada de ouvido em ouvido até o último participante. Raramente, chega a mesma frase de início ao fim da fila.

Na faculdade de jornalismo, não é exatamente esta a brincadeira preferida. Creio que o jogo dos 7 erros faça mais sucesso, já que pode ser jogado em qualquer portal de notícias.

No dia 11 de setembro, o jornal The Telegraph destacou o primeiro britânico a atingir a marca de um milhão de fãs no YouTube.

The_telegraph

Hoje, alguém na BBC Brasil não prestou a atenção e repercutiu a notícia com a manchete "Jovem britânico tem o maior número de seguidores no YouTube em todo mundo".

Bbc_brasil

Como uma das agências de notícias mais respeitadas do mundo, as matérias da BBC são reproduzidas na íntegra por quase todos os portais. Mas, não custa confirmar as informações. Ou é pedir muito?

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Lição de casa: quem são os brasileiros com mais inscritos no YouTube e quem realmente possui o maior número de fãs no mundo?

O que você não vê no Jornal Nacional

A rede Globo, uma das maiores emissoras de televisão do mundo, possui em seu currículo uma edição de vídeo considerada responsável pela vitória de Fernando Collor na eleição presidencial de 1989.

A edição favorável é confirmada por fucionários da época e pelo próprio ex-presidente. Mas, parece que edições tendenciosas não fazem parte apenas do passado. Um vídeo caseiro de Muammar Gaddafi, filmado em 2005 e encontrado esta semana em Trípoli, ganhou as manchetes da mídia internacional.

Mostrando apenas a parte onde a neta se afasta do avô e destacando a resposta inesperada da criança, o Jornal Nacional tenta mostrar a seu público que nem a neta do ditador o amava. Curiosamente, nem a Globo News fez uma edição tão tendenciosa da mesma notícia.

Assistindo outros canais de notícias, como a excelente Al Jazeera, fica evidente a inferioridade do jornalismo brasileiro na cobertura internacional.

A manipulação pode ser confirmada assistindo o contexto do vídeo disponibilizada por diversos veículos no YouTube.

Além das edições tendenciosas, tudo indica que William Bonner continua tendo Homer Simpson como referência de seu público.

Nunca foi tão fácil enganar jornalistas - Episódio IV

A edição de 2 de setembro da revista IstoÉ Dinheiro traz uma reportagem especial sobre o Facebook. Entre diversos dados que comprovam o crescimento na rede social no Brasil, a matéria também apresentou um “furo de reportagem”.

Revista_istoe_dinheiro

Segundo a revista, “com mais de 750 milhões de usuários, a maior rede social do mundo desbanca o Orkut, assume a liderança desse setor no Brasil e já atrai empresas de um número crescente de setores, que usam o site para realizar negócios”.

Está aí uma manchete que os jornalistas de tecnologia guardam há muito tempo e não perderiam a oportunidade de publicá-la. Ainda no domingo, o jonalista Rodrigo Martins, do Estadão, decretou o “fim do reinado do Orkut” no país.

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No dia seguinte, a “informação” seria republicada no G1, INFO, iG, Terra, Portal Imprensa, sites especializados em tecnologia e outros jornais. À tarde veio a nota de esclarecimento do IBOPE: “a empresa não confirma os dados publicados na matéria da revista IstoÉ Dinheiro desta semana e desconhece a fonte da reportagem”.

E agora? Simples, o Estadão editou sua manchete de “Facebook ultrapassa Orkut em usuários e acaba com reinado de 7 anos no BR” para “Facebook ultrapassa Orkut em usuários no BR, diz revista; Ibope não confirma” e o G1 trocou o crédito do IBOPE para revista IstoÉ.

E ninguém viu nada, não precisa checar as fontes e não se fala mais nisso. Ou não, alguém viu onde foi parar a credibilidade do jornalismo?

Leia mais: episódios I, II e III.

Revista VEJA mente sobre tecnologia também

Que a principal revista semanal do país é tendenciosa e má-intencionada não é novidade. Uma pesquisa rápida sobre sua credibilidade retorna resultados como Dossiê Veja e Revista VEJA (que mentira).

Lembro que uma das minhas primeiras matérias, quando cursava o primeiro ano de jornalismo, questionava uma matéria irresponsável sobre os muçulmanos brasileiros. Na época, divulguei diversas cartas - não publicadas pela revista - que contradiziam a versão apresentada. Dez anos depois, nada mudou e a Justiça acaba de condená-los por associar islâmicos com terrorismo.

Infelizmente, o posicionamento político da revista é esse e não surpreende mais. O que eu não imaginava é que seus jornalistas atacariam de especialistas de mídias sociais também.

Veja

Nada mais, nada menos que uma acusação leviana afirmando que o Facebook teria copiado um recurso do Google+.

Em primeiro lugar, estes recursos de privacidade existem há muito tempo no Facebook. Agora, é lógico que Mark Zuckerberg irá reagir à rede do Google tanto que possui um perfil lá. A propósito, é o principal perfil com aproximadamente meio milhão de seguidores. Bem menos que seus 5 milhões de fãs no Facebook.

Em segundo lugar, o Google+ tem muito mais a copiar do que os seus concorrentes. Disposição do feed de atualizações, marcação de fotos, citação de usuários, contas verificadas, botões de compartilhamento e curtir são apenas alguns exemplos. Então, quem está copiando quem?

Para encerrar, leia a mesma notícia no G1, INFO, iG e Terra e tire suas conclusões.

#update
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