Casagrande’s Blog

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Menina de apenas 10 anos consegue divórcio no Yemen

Nujood Ali se tornou notícia internacional em junho de 2008 quando jornais como Los Angeles Times e The New York Times divulgaram que o seu pedido de divórcio havia sido aceito pelo juiz da cidade onde mora no pequeno país árabe do Yemen.
 
 
O que torna a notícia absurda é a idade da divorciada. Nujood tem apenas 10 anos e pertence à uma cultura onde a idade média das noivas está entre 12 e 13 anos na região rural do país.


 
 
Inicialmente, a notícia foi publicada no jornal Yemen Times e a identificou como Nojoud Muhammed Nasser de 8 anos de idade no dia 9 de abril na seção Pela primeira vez no Yemen. No Brasil, o portal Terra reproduziu a matéria com a manchete Menina de 8 anos pede o divórcio do marido de 30 utilizando o nome Nayud Mohamad Naser.
 
A confusão com o nome e a idade, provavelmente, ocorreu pela falta de informação sobre a menina e as circusntâncias da história na época. O sobrenome Nasser, na realidade, pertence à sua advogada que a defendeu na corte. O seu nome completo é Nujood Mohammed Ali.
 
No Yemen, assim como outros países árabes, a tradição permite que menores de idade sejam obrigadas a por seus pais a se casarem em troca de uma quantia em dinheiro.
 
 
Seu pai, Ali Mohammed Ahdal, possui duas esposas e 16 filhos. Anteriormente trabalhava como varredor de ruas, mas hoje está desempregado. A pobreza no país, fez com que a tradição de casar as filhas ainda em idade infantil se tornasse algo comum.
 
Se ter 10 anos e estar casada já é uma tragédia suficiente, o marido também a abusou física e sexualmente. "Meu esposo só me fazia coisas más, e eu não tinha idéia o que era estar casada. Corria de um quarto para outro, fugindo deste homem, mas sempre me alcançava para me bater. Cada vez que queria brincar no jardim me batia e me obrigava a ir para o quarto com ele. E cada vez que lhe pedia misericórdia, ele me pegava ainda mais forte."
 
Diante disso, Nujood tentou buscar refúgio com sua mãe, o que não foi aceito por ela que a repreendeu por questionar seu marido. Se quisesse divorciar-se teria que fazê-lo sem o apoio dos pais. A esperança veio da outra esposa de seu pai que lhe sugeriu denunciar à justiça os maltratos de seu marido.
 
 
Foi assim que Nujood, na tarde do dia 2 de abril, tomou um táxi e se dirigiu ao estabelecimento de justiça e contou a sua trágica história que chegou aos ouvidos de Shada Nasser, uma das advogadas mais importantes e prestigiadas do Yemen. Nasser tem lutado durante anos em prol dos direitos humanos.
 
A advogada Nasser se propôs a defender Nujood gratuitamente para que obtivesse o seu divóricio, tarefa nada fácil já que até então nenhuma menor de idade havia conseguido a separação.
 
 
De forma inédita, em apenas uma semana, Nujood teve seu casamento anulado e pode voltar a brincar e retornou à escola. O marido foi preso juntamente com o pai, que por problemas de saúde, acabou sendo liberado. O marido continua na prisão, de onde reconhece seus atos, mas de acordo com suas próprias palavras "apenas estava exercendo seus direitos como esposo".
 
Nujood se tornou uma heroína por ter coragem suficiente para lutar contra o próprio destino e para contar ao mundo a sua história. "É uma forma de proteger a mim mesma e outras meninas como eu".
 
 
Nujood Ali e Shada Nasser foram escolhidas pela revista Glamour para o prêmio Mulheres do Ano 2008 como As Vozes para as Crianças. Entre as mulheres premiadas estão Nicole Kidman, Tyra Banks, Maureen Chiquet, Hillary Clinton, Jane Goodall, Misty May-Treanor e Kerri Walsh, Condoleezza Rice, Kara Walker e as vencedoras de prêmios Nobel da Paz.

 
No dia 6 de novembro, Nujood Ali e Shada Nasser foram recebidas pela diretora da UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) Inés Alberdi que parabenizou-as pelo trabalho e pelo prêmio Mulheres do Ano.
 
 
A partir dessa iniciativa, muitas meninas poderão ser ajudadas em seu país e no mundo através do apoio de diversas entidades dispostas a participar da luta que começou com uma menina de apenas 10 anos de idade.
 
Fonte: Portal Terra Chile

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Comments (2)

Jan 14, 2009
tininha said...
a história desta rapariga é muito comovente, levou-me as lágrimas, acho que deveria ser mais publicada para mostrar ao mundo que sempre há uma luz no fundo do túnel.
por outro lado gostaria de parabenizar e agradecer este juiz por ter tido uma atitude tão humana, nem sempre é fácil ter apoio dos homens, principalmente quando é contra outro homem e mais ainda num pais muçulmano. por favor mulheres nunca se esqueçam desta menina de apenas 10 anos quanto acharem que o vosso sofrimento não terá fim.
May 07, 2009
carla said...
Talvez por ser europeia tenho muitas dificuldades em perceber como é que uma criança pode casar com um homem de 30 anos ,e para os pais ser algo perfeitamente normal. Tenho uma filha de 12 e não a vejo com maturidade para se casar . Sinceramente acho que lhe chamam "Cultura" ,mas para mim um homem casar com uma criança é doentio e pedofilia e pior é os pais aceitarem e ainda acharem que o marido pode maltratar a filha porque ela tem que servi-lo quando não sabe sequer o que isso é.
Parabens a esta menina por ter tido a maturidade suficiente para lutar pelo seu direito a ser criança.
O mundo tem que fazer alguma coisa porque mesmo sendo muçulmanos religião (que deve ser respeitada ) , já não vivemos na idade da pedra temos que evoluir de mentalidade.

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