Rio Grande do Sul decreta estado de emergência em presídios
Avenida Rocio, número 1.100, vila João Pessoa, Porto Alegre. É nesse endereço que está localizada a cadeia mais populosa do Brasil, o Presídio Central de Porto Alegre. Com uma capacidade para 1.500 detentos, o Central está com uma população de 4.700 presos.

Em entrevista ao jornal Zero Hora, publicada no dia 5 de outubro, o juiz responsável pela fiscalização dos presídios na Região Metropolitana Sidinei José Brzuska chocou o Estado com a descrição do que viu em sua visita ao presídio.
"A sensação que se tem é de que as galerias do Central são um misto de África em guerra civil e Afeganistão. As celas são completamente destruídas em sua estrutura de concreto e tijolos. O chão, meio pegajoso, parece que nunca é limpo. O cheiro é muito ruim. Há esgoto por toda parte. Existem cachoeiras de esgoto e água. É difícil de descrever em palavras.
"Eu sempre tive orgulho em ser gaúcho. Quando viajo, sempre tenho orgulho em ser gaúcho. Pela primeira vez tive vergonha. Chego a me emocionar (enche os olhos de lágrimas). É inadmissível que nós, gaúchos, que nos consideramos uma sociedade politizada, culta, evoluída, deixemos a situação ficar nesse estado. São mais de 20 mil pessoas que entram no Central, todos os meses são milhares de crianças (as visitas) que ficam nessas galerias, nesse esgoto.
"Não quero fazer terra arrasada. Mas é uma vergonha mesmo. Fiz toda a minha carreira na magistratura visitando presídios. Nunca tinha visto nada parecido. Não existe... Tem de chamar a atenção das pessoas porque algumas pensam que, por serem bandidos, os presos têm de sofrer. A sociedade de um modo geral faz vistas grossas.
"Desafio qualquer que veja isso e seja capaz de manter tal opinião... Talvez a questão do esgoto e da saúde pública seja a mais chocante. É muita sujeira, muito esgoto. Uma população muito grande, um espaço muito pequeno."
No dia 7 de outubro, a governadora Yeda Crusius decretou situação de emergência no sistema penitenciário estadual. Para acelerar os projetos de construção e ampliação de presídios será criada uma força-tarefa formada por representantes do governo do Estado, Judiciário, Ministério Público e prefeituras dos municípios onde serão construídos presídios.
O Estado está construindo duas penitenciárias, em Santa Maria e Caxias do Sul, e projeta outras sete - três para Guaíba e as demais para São Leopoldo, Passo Fundo, Bento Gonçalves e Lajeado.
O Presídio Central recebe diariamente 40 presos. Há dias em que cem presos são recolhidos. "E como há de querer-se que nas ruas haja assim segurança, se nem lugar para os presos existe mais em nossos limites?" questionou o jornalista Paulo Sant'Ana.
Fonte: Blog do Paulo Sant'Ana e jornal O Estado de São Paulo

