O Caso Paula Oliveira
Mais uma barrigada do jornalista de O Globo, Ricardo Noblat. Apesar de se tratar de uma história muito bem inventada, os principais jornais do país admitiram que houve falha na apuração do fato e, principalmente, que não foram ouvidos os dois lados da notícia.
Noblat publicou "em primeira mão" dia 11 de fevereiro às 15h22m: Brasileira torturada na Suiça aborta gêmeos utilizando uma foto da suposta gravidez e duas após a suposta agressão enviadas pelo companheiro suíço da advogada.
A notícia se espalhou rapidamente pela mídia brasileira e os jornais passaram a utilizar como fonte a própria notícia. Já a imprensa internacional se dividiu entre a repercussão do caso do Brasil, comprando a versão da imprensa brasileira, e a versão da polícia suíça que sugeria a automutilação.
O pai de Paula Oliveira teve papel fundamental no caso. Secretário parlamentar do ex-governador de Pernambuco e deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE), Paulo Oliveira tratou pessoalmente de encaminhar a versão ao jornalista Ricardo Noblat e mobilizou o deputado Magalhães e o senador Marco Maciel (DEM-PE).
Estes por sua vez, trataram de acionar o Ministério das Relações Exteriores culminando com as declarações e cobranças do ministro Celso Amorim e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Finalmente, em 16 de fevereiro, a revista Época em parceria com o portal G1 apuraram o compartamento de Paula com ex-colegas da advogada na empresa dinamarquesa Maersk, no escritório brasileiro onde Paula trabalhou antes de transferir-se para a Suíça. A matéria Paula enviou a amigos ultrassom falso, diz colega provocou uma reviravolta na opinião da imprensa.
A partir dessa informação, tornou-se cada vez mais difícil sustentar a versão defendida por Noblat. A verdadeira história estava prestes a ser confirmada. A Suíça tinha razão desde o primeiro dia e a imprensa brasileira passou a revisar seus erros.
"Eu acho que a Folha foi mal como todos os outros jornais e veículos de comunicação. Foi precipitada. Compramos a notícia sem confirmação própria", avalia o ombudsman da Folha de Sãa Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva. "Se eu estivesse no lugar dos editores, iria cometer o mesmo erro. Existe uma cultura no jornalismo que tem que se dar a notícia o mais rapidamente possível", admite Lins da Silva.
O diretor de conteúdo do Estadão, Ricardo Gandour, afirma que o jornal registrou a informação divulgada pelo Blog do Noblat e foi a campo, com uma entrevista com o pai de Paula Oliveira e informações do Itamaraty. Porém, admite a falta do outro lado da história. "Ficou 24 horas num pé só. Serviu como um aprendizado para o futuro", diz Gandour.
A BBC Brasil foi a equipe mais cuidadosa, mais ainda assim errou a manchete. "Tudo o que descrevemos eram hipóteses, tudo era 'segundo o Itamaraty'. Onde poderíamos ter feito melhor foi no título. 'Brasileira grávida de gêmeos é agredida na Suíça e perde bebês', dissemos. Mas o melhor teria sido algo como 'Brasileira diz ter sido agredida na Suíça e perdido bebês' ou 'Itamaraty denuncia agressão a brasileira na Suíça', registrou o editor Rogério Simões.
Fontes: Comunique-se, Estadão e Marcos Lauro






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