UFSM cancela vaga de estudante cotista após início das aulas
O polêmico sistema de cotas para ingresso em universidades públicas fez mais uma vítima. Filha de pai mulato e mãe branca, Tatiana Oliveira, 22 anos teve sua matrícula no curso de pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (RS) cancelada.
Tatiana (com a mãe na foto) começou as aulas em 9 de março. A surpresa veio no dia 18 de março, quando foi convocada para comparecer a uma entrevista na reitoria.
Durante a entrevista, a aluna teria sido questionada sobre sua raça, se já havia sofrido preconceito e o motivo da opção pelo sistema de cotas.
"Eu falei que me considero parda. Menos parda do que meu pai, porque minha mãe é branca. Respondi que nunca sofri preconceito e que escolhi me inscrever no sistema de cotas porque ele dá chance para que nós, de cor parda, possamos ingressar na universidade. Falei a verdade."
Na terça-feira passada, dia 7 de abril, Tatiana foi comunicada pela coordenadora do seu curso que a sua matrícula havia sido cancelada.
"O que a UFSM quer? Que só entre quem já sofreu preconceito? Ninguém aqui usou de má fé para conseguir uma vaga. A Tatiana só se inscreveu por cotas porque entendemos que era um direito dela. Mas, pelo jeito, agora teremos de definir a cor da minha filha na Justiça."
Para o pró-reitor de Graduação Jorge Luiz da Cunha nos casos em que há dúvida sobre o que o aprovado declarou, ele pode ser chamado depois de já estar cursando a faculdade. Esses alunos são submetidos a uma entrevista com representantes da Comissão de Implementação e Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas de Inclusão Racial e Social da UFSM.
"Ela respondeu que nunca sofreu discriminação, que nunca se considerou parda, que se considera mais clara que outros integrantes da sua família, e que, no vestibular, foi a primeira vez que se disse 'parda'. Partindo do espírito das políticas de ações afirmativas, a comissão, que inclusive tem representantes do Movimento Negro, entendeu que ela não se sente participante desse grupo."
Crédito da imagem: Francieli Rebeletto para a RBS
Fonte: Monthiel e Jonny Ken Itaya via Twitter, Folha Online e Zero Hora
